Soltei pipa.
Puxei arraia.
Brinquei com pandorga.

Não importa o nome que se dê ou o verbo que se use. Nem lembrava mais como é gostosa essa brincadeira. Meu pai querido fazia papagaios -como ele chamava- lindos, enormes, coloridos. Ele usava plástico de encapar caderno -alguém se lembra? Rabos longos. Mandou fazer uma caixa de madeira, com manivela, pra enrolar e desenrolar a linha. Linha não: acho que se chamava cordonê. Envernizada. Chic demais o "seu" Paulo. E em muitos fins-de-semana ele brincava de empinar papagaio com meu irmão Paulinho, na esquina da rua Mário com a Vespaziano.
Caramba! Senti até o "cheiro da naftalina" com essas lembranças.
Ontem, ao chegar no sítio, vi que os filhos do meu "braço direito" estavam puxando arraia, como se diz por aqui. O mais velho, de 4 anos, me convidou: -Quer puxar arraia comigo? Acho que ele pensou que eu não soubesse brincar disso. Convite aceito. E, de repente, me senti criança de novo! O vento puxava muito, e a arraia/pipa/papagaio subiu rápido. E meu amiguinho começou a rir. E eu também. Aquela risada gostosa, alta, que só as crianças sabem dar. E cada vez que o vento pedia mais linha, mais eu pulava de alegria. E ria. E sorria ao perceber que minha criança continua muito viva dentro de mim.
Felicidade pura.
Próximo passo...reaprender a andar de bicicleta.
CARPE DIEM


