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terça-feira, 29 de julho de 2008

Nota de falecimento

Ele morreu.
Venho de uma família bastante espiritualizada, e por isso, encaramos a morte de uma maneira diferenciada. Isso não quer dizer que não soframos com a partida de um ente querido. Sofremos, e não é pouco. Mas temos consciência de que a morte é apenas uma etapa, e nosso ente querido, com a morte, iniciará uma nova caminhada. (Sabemos também que, se ele é extremamente racional e não acredita nessas coisas, tudo fica mais difícil).
Com isso, até inconscientemente, nos preparamos para a partida de nossos familiares. Isso é fácil? Claro que não. E muitas vezes tardamos muito a nos recuperar.
Algumas vezes, temos tempo de nos preparar para a partida, pois sabemos que, pela idade ou pela saúde de nosso parente, a possibilidade de morte cresce. Mas mesmo assim, quando acontece, sentimo-nos perdidos, traídos, abandonados.
Foi o que aconteceu comigo ontem. Essa morte, já muito anunciada e prevista, me pegou de surpresa. Sempre achamos que algo pode acontecer, até um milagre (e eu acredito em milagres).
Mas não houve milagre. Claro, com tantos anos de vida, tantas tentativas de "agora vamos acertar", tantos transplantes de "órgãos", havia sempre uma esperança. Qual o quê!
Ontem pela manhã, depois de ter sofrivelmente interagido comigo, e aproveitando-se de minha já constante fragilidade, ele partiu. Morreu. Se foi. De maneira covarde e egoísta.
Apesar de ter consciência de que isso poderia acontecer, fiquei chocada. E o primeiro pensamento que tive foi:" Você não merece meu pesar, minhas lágrimas, meu luto".
E imediatamente comecei a procurar outro computador.



P.S. Minha filha caçula preferida emprestou-me seu notebook para que eu pudesse informá-los do ocorrido.