Mostrando postagens com marcador Bela Vista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bela Vista. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bela Vista de Goiás


Felicidade, é uma cidade pequenina, uma casinha, uma colina
Qualquer lugar que se ilumina, quando a gente quer amar. (Moraes Moreira)

Como é bom ser feliz! Jamais pensei que me adaptaria tão facilmente à uma cidade pequena, simples, mas tão hospitaleira.
Há seis meses moro nesta cidade e só encontrei uma pessoa chata por aqui. Todos são atenciosos, gentis. Todos já me consideram "da família".
Claro que esta cidade não foge à regra das fofocas. Comprei uma casa num sábado à tarde, e na segunda-feira todos os conhecidos (e os desconhecidos também) já sabiam da compra, do local e até do preço pago por ela. Me paravam numa loja ou na padaria pra dizerem isso.
Não estranhei. Afinal, ao comprar um botijão de gás logo depois de mudar, o dono do depósito perguntou ao meu par: "- O senhor é o homem que vai montar a cerâmica?" Poucas pessoas sabiam sobre a fábrica de tijolos ecológicos por nosso intermédio. Mas a cidade toda já sabia. Em outros tempos acharia isso um absurdo, um "cuidar da vida dos outros". Hoje já não penso assim.
Sei que nossa chegada foi um evento e tanto. Gente de Brasília pra morar aqui!
Já estou bem adaptada. E agora, com o par vindo em definitivo pra Bela Vista, sei que esta nova etapa de nossas vidas será revigorante. Com maracujás, eucaliptos, mandiocas e tijolos ecológicos. E muita alegria. E muita felicidade.


CARPE DIEM

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Recomeçando


No início de 75, numa curta viagem ao RJ, conheci um loiro de olhos azuis, paulista como eu, por quem me apaixonei à primeira vista. Casamos depois de dois anos e meio de namoro. Em 81 surgiu a oportunidade de mudarmos pra Brasília e eu nem pisquei. Disse a ele: "- Vou pra onde você for." E depois Curitiba. E novamente Brasília. E Sorocaba, onde compramos nossa primeira casa, o que me fez pensar: "- Agora vamos ancorar."
Mas ainda faltava Caracas, por quatro anos. Em todos esses lugares mudamos de casas duas ou três vezes. E novamente Brasília em 98, onde compramos outra casa depois de vender a primeira, o que me deu a sensação de "porto final". Depois de 6 anos, a filha mais velha preferida perguntou: - "Nunca mais nós vamos mudar?"
Diante da possibilidade remota de uma outra mudança ela decidiu: -"Então mudo eu." E foi morar sozinha.
E agora, depois de onze anos ancorados em Brasília, outra partida, outro recomeço. Casa em Brasília vendida, casa em Bela Vista comprada.
Tudo novo. Tudo diferente. A começar pela mudança sem as filhas queridas, que permanecem na capital federal. Depois o par, que resolveu abandonar a profissão e se dedicar em tempo integral à fábrica de tijolos ecológicos que estamos montando.
E eu, enquanto cuido das plantações, me pergunto: - "Haverá porto onde eu vá desmontar o navio?" Sei não.

CARPE DIEM

segunda-feira, 23 de março de 2009

Isso dá um trabalho!


720 pés de maracujá. Irrigação por gotejamento. Fita pra cada pé.

O sistema de irrigação por gotejamento é ótimo, mas há que se furar as mangueiras pra instalar os gotejadores, um em cada cova, e ninguém avisou que isso não deve ser feito com o sol a pino, já que as mangueiras laceiam com o calor. Todas foram esticadas e furadas e tiveram os gotejadores instalados, desde cedo até o final da tarde de vários dias. Sendo assim, algumas delas foram preparadas com o astro rei bem em cima de nossas cabeças.
Conclusão: estavam "amolecidas"e depois que o sol se foi, encolheram. Tivemos que refazer. Dois trabalhos. E quem ajudou a esticar as mangueiras? Euzinha aqui. Mesmo usando luvas, não há como evitar as bolhas nas mãos.
Cada pé de maracujá deve ter uma fita amarrada nos arames, bem na direção da cova. Amarra-se em cima e depois embaixo. 720 pés=1440 amarrações. 1,60m do solo a amarração superior e 20cm a inferior. Abaixa e levanta. Abaixa e levanta. Abaixa...Quem fez isso? Euzinha aqui. Não sei o que dói mais: as pernas, as costas ou os braços.
O resultado final é bastante interessante, mas a dedicação tem que ser constante, já que é uma cultura melindrosa e de um dia pro outro lá estão os cupins e as formigas.
Todos os dias reviso cada um dos 720 pés em busca dessas pragas e outras tantas.
Depois há que se fazer a desbrota, e deixar só duas ramas pra que ele se fortaleça. Quem? Eu.
Não há chapéu que refresque o "côco" nem protetor solar que dê conta.
Na identidade tenho 53, na maneira de encarar a vida 30, mas no corpo... me sinto com 109.
Mas quem disse que seria fácil?



CARPE DIEM

quarta-feira, 11 de março de 2009

O som da chuva

Sempre morei em cidades grandes, e mesmo que fosse em bairros tranquilos, havia toda sorte de sons diários e característicos: buzinas, carros passando na rua, uma sirene lá longe, um avião no céu. Vez ou outra um passarinho.
Aqui, tudo é muito diferente, ou melhor, os sons são diferentes. Todas as manhãs acordo com uma sinfonia de papagaios avisando que "tá na hora de acordar". Quando algum morador passa pro andar de cima, o carro de som circula com uma música fúnebre avisando o passamento e informando local e hora do velório e sepultamento.
Chego ao sítio pouco depois das 7 da manhã todos os dias, e pelo caminho vou cruzando com muuuitos cachorros de rua. Cachorros de interior pois nem se preocupam em correr atrás do carro. Aliás, tem um cachorrinho que já deve ter morado em cidade grande, pois insiste em sair correndo de sua casa e me assustar com seu latido. INSISTIA. Depois que descobri onde ele mora, passei a frear rápido quando chego em frente à sua casa, frustrando o danadinho. É, eu também tenho um lado sacana. No sítio, alguns sons são constantes como o mugido das vacas das fazendas vizinhas, ou o som agradável de um pássaro chamado por aqui de Curicaca.
Mas nenhum som é mais fantástico do que o som da chuva chegando. Nas cidades grandes o céu escurece e a chuva cai. Em Bela Vista isso também acontece. Mas no sítio, a apenas 5 km do centro da cidade, pode-se ouvir a chuva chegar. Vou explicar: eu estava fazendo as amarrações no maracujal (assunto pra outro post) quando percebi que o tempo estava mudando. O rapaz que trabalha pra mim disse: "- A chuva vai chegar logo, olha o barulho." Agucei meus ouvidos, me concentrei, e consegui ouvir a chuva chegando. Sem raios, sem trovões. O barulho da chuva caindo na terra das fazendas, nas árvores. Chegando. A cada metro que aquela cortina cinza se aproximava, aquele som aumentava. Como se alguém estivesse aumentando o volume bem devagarinho. Como naqueles filmes que têm uma cena onde um som começa baixinho e vai aumentando à medida que algo se aproxima, e termina retumbante. Quando a chuva chegou, abrigados no galpão, eu quase não podia ouvir o que o rapaz falava.
E me emocionei. Jamais imaginei que um dia pudesse ouvir um som tão diferente. E tão bonito.
A cada dia que passo aqui, aprendo algo sobre a terra, as formigas, os cupins, como saber se vai chover olhando a lua. Nada até agora foi mais bonito do que aprender a ouvir o som da chuva que ainda não chegou. E estou aprendendo ainda mais a respeitar a natureza.

CARPE DIEM

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Como cheguei aqui

Há pelo menos dois anos meu par começou a buscar o que fazer depois que se aposentasse. Ele tem 58 anos e muito gás ainda pra gastar. Ele passou pela criação de avestruzes, apicultura, determinadas espécies de cogumelos, árvores nobres e chegou aos tijolos ecológicos. Pesquisou muito, estudou bastante e decidiu que esse seria um bom filão de mercado, nestas paragens do planalto central. Como tínhamos o hábito de viajar sempre pra Goiânia, um belo dia resolvemos sair em busca de uma cidade nas imediações, que fosse simpática, pequena e relativamente perto de Brasília (onde moram nossas filhas preferidas) pra comprarmos "um pedaço de chão". Nossa idéia era conhecer várias cidades e, pra isso, escolhemos uma das saídas de Goiânia. Passamos batido por Senador Canedo e chegamos em Bela Vista. Esta cidade tem três entradas e por nenhum motivo especial entramos na última. Nessa primeira rua encontramos uma imobiliária e perguntamos por algum sítio que estivesse à venda. Nos mostraram dois, e nos encantamos pelo segundo. Compramos.
Foi tudo tão rápido e fácil que nos surpreendemos. Começava assim meu vínculo com Bela Vista.
As outras cidades? Um dia nos conhecerão.

CARPE DIEM

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Bela Vista de Goiás

As cidades de interior têm algumas características muito particulares e Bela Vista não foge à regra.
Aqui, as pessoas desprezam as calçadas e caminham sempre pelas ruas (às vezes me pego fazendo a mesma coisa) fazendo com que os carros, muitas vezes, tenham que desviar de pessoas e não de outro veículo.
Jamais vi tantas carroças atrapalhando o trânsito. Não que tenhamos muitos carros, mas é que as ruas são bastante estreitas.
Aqui não há nenhuma dessas lanchonetes conhecidas como Mc Donald's, Bob's e afins. Mas todas as lanchonetes que existem são chamadas de "Pit Dogs". Na praça central da cidade havia 4 pit dogs, um em cada esquina. O prefeito que acaba de deixar o cargo resolveu inovar e ergueu uma "praça de alimentação" no local, reunindo todos os pit dogs. Alguns deles têm lanches deliciosos.
Outra característica desta cidade é o costume de comer churrasquinho. Durante todo o dia há algum churrasqueiro de prontidão. Em quase todos eles o churrasquinho é servido com molho, pimenta e farinha e vem acompanhado de mandioca cozida e feijão tropeiro. Uma delícia.
Agora, o que aconteceu nesta madrugada supera qualquer outra característica de cidade de interior. Moro a uma quadra da praça central então, tudo o que acontece por lá pode ser ouvido por aqui. Às cincos horas da madrugada acordei assustada com o barulho de rojões e uma quantidade absurda de fogos de artifício. Tocava uma música que eu já tinha ouvido em desfiles militares e eu não conseguia entender o que estava acontecendo. De repente os fogos diminuiram, e pra minha surpresa, ouvi nos alto-falantes da praça a seguinte frase: "Povo belavistense! Estamos iniciando a Festa dos santos padroeiros da cidade São Benedito e Santa Irene. Espero todos os cidadãos para a missa de abertura das comemorações às 5:30 na igreja. E viva São Benedito e viva Santa Irene!" E mais fogos. Quando tive certeza que tudo havia acabado, olhei no relógio e percebi que ouvi 11 minutos de fogos de artifício em plena 5 horas da madrugada. Peculiaridades de uma pequena cidade de interior.



CARPE DIEM

domingo, 23 de novembro de 2008

Bela Vista

Bela Vista, aqui vou eu!
Terça-feira inicio minha saga nessa acolhedora cidade goiana. Primeira etapa completada, agora é começar a trabalhar pra valer. Não sei quanto tempo ficarei por lá. Talvez dez ou quinze dias. O que sei é que dia 12 de dezembro quero estar aqui porque muitos babadinhos vão acontecer. Dia 12 é o amigo secreto da clínica. Dia treze é o niver da melhor amiga. Não sei se ela vai comemorar mas quero estar aqui "por se acaso". Dia 15 tenho dois clientes pra atender e 16 uma consulta médica. 
Volto pra B.V. e fico até 21 ou 22. Natal  e Ano Novo aqui sem mãezinha e irmãs, mas com a família de genro e talvez alguns amigos.
E aí então... B.V. quase que direto. Trabalhar e trabalhar.

CARPE DIEM