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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Voa, liberdade

Voa, voa minha liberdade
Entra se eu servir como morada
Deixa eu voar na sua altura
Agarrado na cintura
Da eterna namorada
Voa feito um sonho desvairado
Desses que a gente sonha acordado
Voa, coração esvoaçante
Feito um pássaro gigante
Contra os ventos do pecado
Voa nas manhãs ensolaradas
Entra, faz verdade esta ilusão
Voa no estalo do meu grito
Quero ser teu infinito
Neste azul sem dimensão
Voa...

(Letra e música de Jessé)

CARPE DIEM

quarta-feira, 11 de março de 2009

O som da chuva

Sempre morei em cidades grandes, e mesmo que fosse em bairros tranquilos, havia toda sorte de sons diários e característicos: buzinas, carros passando na rua, uma sirene lá longe, um avião no céu. Vez ou outra um passarinho.
Aqui, tudo é muito diferente, ou melhor, os sons são diferentes. Todas as manhãs acordo com uma sinfonia de papagaios avisando que "tá na hora de acordar". Quando algum morador passa pro andar de cima, o carro de som circula com uma música fúnebre avisando o passamento e informando local e hora do velório e sepultamento.
Chego ao sítio pouco depois das 7 da manhã todos os dias, e pelo caminho vou cruzando com muuuitos cachorros de rua. Cachorros de interior pois nem se preocupam em correr atrás do carro. Aliás, tem um cachorrinho que já deve ter morado em cidade grande, pois insiste em sair correndo de sua casa e me assustar com seu latido. INSISTIA. Depois que descobri onde ele mora, passei a frear rápido quando chego em frente à sua casa, frustrando o danadinho. É, eu também tenho um lado sacana. No sítio, alguns sons são constantes como o mugido das vacas das fazendas vizinhas, ou o som agradável de um pássaro chamado por aqui de Curicaca.
Mas nenhum som é mais fantástico do que o som da chuva chegando. Nas cidades grandes o céu escurece e a chuva cai. Em Bela Vista isso também acontece. Mas no sítio, a apenas 5 km do centro da cidade, pode-se ouvir a chuva chegar. Vou explicar: eu estava fazendo as amarrações no maracujal (assunto pra outro post) quando percebi que o tempo estava mudando. O rapaz que trabalha pra mim disse: "- A chuva vai chegar logo, olha o barulho." Agucei meus ouvidos, me concentrei, e consegui ouvir a chuva chegando. Sem raios, sem trovões. O barulho da chuva caindo na terra das fazendas, nas árvores. Chegando. A cada metro que aquela cortina cinza se aproximava, aquele som aumentava. Como se alguém estivesse aumentando o volume bem devagarinho. Como naqueles filmes que têm uma cena onde um som começa baixinho e vai aumentando à medida que algo se aproxima, e termina retumbante. Quando a chuva chegou, abrigados no galpão, eu quase não podia ouvir o que o rapaz falava.
E me emocionei. Jamais imaginei que um dia pudesse ouvir um som tão diferente. E tão bonito.
A cada dia que passo aqui, aprendo algo sobre a terra, as formigas, os cupins, como saber se vai chover olhando a lua. Nada até agora foi mais bonito do que aprender a ouvir o som da chuva que ainda não chegou. E estou aprendendo ainda mais a respeitar a natureza.

CARPE DIEM

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Má, uma pessoa especial

Quando ela nasceu, seu avô disse que ela tinha cara de joelho. Um joelho com olhos maravilhosos, tipo azul cobalto, sabe como?
Jamais concordei com essa comparação mas cada um vê o outro como quer, certo?
Ela cresceu gordinha, com a auto-estima "mais ou menos" e sempre mostrando aos que a cercavam, alguns aspectos bem diferentes de sua pessoa.
Sempre foi exagerada, no sotaque paulista, nas risadas, nas brincadeiras.
Sempre foi exagerada, no companheirismo, na criatividade, no carinho distribuido a todos que a rodeavam.
Uma artista ainda não descoberta. Pessoa criativa, que desenha sua própria tatoo, que faz belas pinturas em tênis All Star, que transforma em arte o material qualquer que chegue em suas mãos.
Quem a conhece sabe que ela toma vodka com dois canudinhos, que ama sua família e amigos e quer que todos vão com ela pro inferno (suas palavras).
Uma pessoa linda por dentro e por fora. Talvez por isso eu só a chame de "minha linda".
Te quero muito, minha linda sobrinha Marcela.