Meu pai era um homem especial. Lindo de morrer, olhos verdes, bem galã de cinema. Fazia de tudo pela família. Pra ele, tudo poderia faltar, menos bons médicos e melhores escolas. E nunca nos faltou nada. Honesto e trabalhador foi, por muitos anos, um boêmio de carteirinha. Conheceu e foi amigo de muitos cantores e músicos da noite, numa época em que estes não tinham valor algum. Daí vem meu gosto por uma reunião onde haja um violão e onde eu possa cantar "sem medo de ser feliz".
Tinha o costume de apresentar as filhas por números. Ele dizia: " Esta é minha filha nº2. Esta é a nº4." Outras vezes dizia que tinha em casa 4 notas promissórias e um cheque ao portador, referindo-se ao meu irmão.
Em sua empresa de transportes, ele colocou o nome de cada filha em cada uma das carretas que possuía. Quando precisava de uma delas se comunicava com a garagem e soltava: "Sobe a Heloisa Helena. Dentro de 20 minutos pode subir a Vera Lúcia". Quando fui trabalhar com ele na empresa me acostumei com isso e percebi que houve muito carinho da parte dele em nomear suas carretas com nossos nomes.
Minha relação com ele nem sempre foi fácil. Por causa da maneira como foi criado, ele tinha muita dificuldade de externar seus sentimentos. Mudou muito depois que as netas nasceram. Muitas vezes, quando eu o via acarinhando ou beijando as netas, principalmente minha filha mais velha, eu sentia um misto de raiva, inveja e mágoa, por quase nunca ter recebido essas demonstrações de carinho. Ele se desdobrava pra ajudar as filhas mesmo depois de casadas, e sei que eu fui a que mais ajuda recebeu. E fui a única que saiu de perto da família. Foi muito triste pra ele quando levei pra longe sua neta mais querida. Naquela época eu não conseguia dimensionar a sensação de abandono que a distância provoca. Em alguns momentos a saudade pode dilacerar um coração. Hoje, tenho plena consciência que meu pai sentia muito amor por todas nós. Quisera eu voltar no tempo, mas com a vivência e maturidade de meus 53 anos, e dizer a ele tudo o que me vai n'alma. Isso, com certeza, me faria uma mulher mais feliz.
CARPE DIEM
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Frases (extraídas de textos de Cris Guerra)
O passado é um lugar bonito para visitar de vez em quando. Não para morar. O tempo tem sua mágica. Não se vive uma vida de ontens.
Mas, de tempos em tempos é bom olhar para trás e redescobrir do que somos feitos. Que tijolos são esses que nos sustentam. E chorar para sentir, para reconhecer. Chorar para sorrir.
Existe hora e lugar para isso.
O amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções.
E ainda assim, fazer sempre a mesma livre escolha.
CARPE DIEM
Mas, de tempos em tempos é bom olhar para trás e redescobrir do que somos feitos. Que tijolos são esses que nos sustentam. E chorar para sentir, para reconhecer. Chorar para sorrir.
Existe hora e lugar para isso.
O amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções.
E ainda assim, fazer sempre a mesma livre escolha.
CARPE DIEM
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