Dedico o texto de hoje a todos os queridos guaranetes e alguns convidetes que "tão duramente me malharam, qual Judas num sábado de Aleluia", porque eu escrevi desprezar quem guarda ou coleciona tudo. De forma alguma estas linhas são uma reclamação, até porque o respeito que todos demonstraram por minha opinião me confirmou a solidez e transparência de nossa amizade, apesar de virtual. O verbo "malhar" foi usado de forma positiva, pois é isso (também) que fazemos uns com os outros no blog Guaraná
Neste fim de semana fui à Brasília pra iniciar os preparativos da mudança definitiva pra Bela Vista de Goiás. Já sabia que meu par, no pouco tempo disponível durante a semana, estava fazendo a parte dele embalando coisas, desmontando outras e organizando tantas mais.
(Esta é a 18ª mudança que fazemos, e somente duas foram feitas por empresas especializadas: ida e regresso do exterior. Todas as outras foram embaladas por mim, dos talheres aos quadros.)
Quando cheguei em casa, vi uma quantidade absurda de caixas esperando por mim. Não 4 ou 6 ou 10. Muuuuuuuitas. Meu par havia guardado TODAS as caixas de todos os utensílios, e eletrodomésticos (tem hífen?), e eletroeletrônicos. Alguns já se estragaram. Mas as caixas estavam lá. E nossa última mudança foi há 11 anos! E de repente, fiquei feliz ao perceber que o jogo de jantar que gosto tanto estará bem embalado, os copos de cristal, a máquina de fazer pão...
Caixinhas guardadas dentro de caixas, guardadas dentro de caixões.
A bem da verdade eu nem sabia que todas essas caixas estavam esperando por outra mudança. Sabia de algumas. Mas todas! Nem pensar!
E agora me vejo mordendo a língua, pois se ele não tivesse guardado todas essas caixas desnecessárias, que ocupam um espaço enorme, num sótão que eu nem visito, eu não estaria tão tranquila sabendo que minhas coisinhas estarão bem acondicionadas pra mais uma mudança. E ele que guarde tudo mais uma vez. Vai que a gente mude de novo!!!
Em tempo: Eu tenho uma coleção de bonecas.
CARPE DIEM
segunda-feira, 11 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Bela Vista de Goiás

Felicidade, é uma cidade pequenina, uma casinha, uma colina
Qualquer lugar que se ilumina, quando a gente quer amar. (Moraes Moreira)
Como é bom ser feliz! Jamais pensei que me adaptaria tão facilmente à uma cidade pequena, simples, mas tão hospitaleira.
Há seis meses moro nesta cidade e só encontrei uma pessoa chata por aqui. Todos são atenciosos, gentis. Todos já me consideram "da família".
Claro que esta cidade não foge à regra das fofocas. Comprei uma casa num sábado à tarde, e na segunda-feira todos os conhecidos (e os desconhecidos também) já sabiam da compra, do local e até do preço pago por ela. Me paravam numa loja ou na padaria pra dizerem isso.
Não estranhei. Afinal, ao comprar um botijão de gás logo depois de mudar, o dono do depósito perguntou ao meu par: "- O senhor é o homem que vai montar a cerâmica?" Poucas pessoas sabiam sobre a fábrica de tijolos ecológicos por nosso intermédio. Mas a cidade toda já sabia. Em outros tempos acharia isso um absurdo, um "cuidar da vida dos outros". Hoje já não penso assim.
Sei que nossa chegada foi um evento e tanto. Gente de Brasília pra morar aqui!
Já estou bem adaptada. E agora, com o par vindo em definitivo pra Bela Vista, sei que esta nova etapa de nossas vidas será revigorante. Com maracujás, eucaliptos, mandiocas e tijolos ecológicos. E muita alegria. E muita felicidade.
CARPE DIEM
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Cara nova
Mais uma vez mudei a carinha do blog.
Tantas mudanças acontecendo que achei legal mudar aqui também. Se eu cansar, volto.
Só não consegui sair do verde, minha cor predileta.
CARPE DIEM
Tantas mudanças acontecendo que achei legal mudar aqui também. Se eu cansar, volto.
Só não consegui sair do verde, minha cor predileta.
CARPE DIEM
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Ontem e hoje
Eu gosto de preferir o hoje ao ontem mas...
Como não lembrar:
das filhas preferidas pequeninas que estavam sempre ao meu lado?
da comidinha deliciosa da mãezinha que fazia sempre o que eu gostava?
do beijo de despedida do namorado, no portão de casa, que parecia sempre ser o melhor da noite?
E como não lembrar do paizão, hoje ausente, que se desdobrava pra fazer tudo o que eu precisasse?
Lembro de todos esses ontens, e adoro os meus hojes:
estar sempre presente ao lado das filhas preferidas já adultas.
fazer as comidinhas deliciosas que elas gostam tanto.
continuar dando o beijo de despedida no mesmo namorado, só que na cama, antes de dormir.
procurar fazer tudo o que minhas filhas precisam, como meu pai fazia.
O ontem feliz me faz feliz hoje.
CARPE DIEM
Como não lembrar:
das filhas preferidas pequeninas que estavam sempre ao meu lado?
da comidinha deliciosa da mãezinha que fazia sempre o que eu gostava?
do beijo de despedida do namorado, no portão de casa, que parecia sempre ser o melhor da noite?
E como não lembrar do paizão, hoje ausente, que se desdobrava pra fazer tudo o que eu precisasse?
Lembro de todos esses ontens, e adoro os meus hojes:
estar sempre presente ao lado das filhas preferidas já adultas.
fazer as comidinhas deliciosas que elas gostam tanto.
continuar dando o beijo de despedida no mesmo namorado, só que na cama, antes de dormir.
procurar fazer tudo o que minhas filhas precisam, como meu pai fazia.
O ontem feliz me faz feliz hoje.
CARPE DIEM
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Recomeçando

No início de 75, numa curta viagem ao RJ, conheci um loiro de olhos azuis, paulista como eu, por quem me apaixonei à primeira vista. Casamos depois de dois anos e meio de namoro. Em 81 surgiu a oportunidade de mudarmos pra Brasília e eu nem pisquei. Disse a ele: "- Vou pra onde você for." E depois Curitiba. E novamente Brasília. E Sorocaba, onde compramos nossa primeira casa, o que me fez pensar: "- Agora vamos ancorar."
Mas ainda faltava Caracas, por quatro anos. Em todos esses lugares mudamos de casas duas ou três vezes. E novamente Brasília em 98, onde compramos outra casa depois de vender a primeira, o que me deu a sensação de "porto final". Depois de 6 anos, a filha mais velha preferida perguntou: - "Nunca mais nós vamos mudar?"
Diante da possibilidade remota de uma outra mudança ela decidiu: -"Então mudo eu." E foi morar sozinha.
E agora, depois de onze anos ancorados em Brasília, outra partida, outro recomeço. Casa em Brasília vendida, casa em Bela Vista comprada.
Tudo novo. Tudo diferente. A começar pela mudança sem as filhas queridas, que permanecem na capital federal. Depois o par, que resolveu abandonar a profissão e se dedicar em tempo integral à fábrica de tijolos ecológicos que estamos montando.
E eu, enquanto cuido das plantações, me pergunto: - "Haverá porto onde eu vá desmontar o navio?" Sei não.
CARPE DIEM
Mas ainda faltava Caracas, por quatro anos. Em todos esses lugares mudamos de casas duas ou três vezes. E novamente Brasília em 98, onde compramos outra casa depois de vender a primeira, o que me deu a sensação de "porto final". Depois de 6 anos, a filha mais velha preferida perguntou: - "Nunca mais nós vamos mudar?"
Diante da possibilidade remota de uma outra mudança ela decidiu: -"Então mudo eu." E foi morar sozinha.
E agora, depois de onze anos ancorados em Brasília, outra partida, outro recomeço. Casa em Brasília vendida, casa em Bela Vista comprada.
Tudo novo. Tudo diferente. A começar pela mudança sem as filhas queridas, que permanecem na capital federal. Depois o par, que resolveu abandonar a profissão e se dedicar em tempo integral à fábrica de tijolos ecológicos que estamos montando.
E eu, enquanto cuido das plantações, me pergunto: - "Haverá porto onde eu vá desmontar o navio?" Sei não.
CARPE DIEM
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Coisas que naturalmente se atraem
Mau humor e segunda-feira!
Mãos e seios
Olhos e bunda
Nariz e dedo
Mulher e vitrine
Homem e cerveja
Queijo e goiabada
Chifre e dupla sertaneja
Carro de bêbado e poste
Bebedeira e mulher feia
Tampa de caneta e orelha
Tornozelo e pedal de bicicleta
Jato de mijo e tampa de vaso
Leite fervendo e fogão limpinho
Político e dinheiro público
Dedinho do pé e ponta de móveis
Camisa branca e molho de tomate
Tampa de creme dental e ralo de pia
Café preto e toalha branca na mesa
Dezembro na Globo e Roberto Carlos
Chuva e carro trancado com a chave dentro
Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico
Bom humor e SEXTA - FEIRA!!!
CARPE DIEM
Mãos e seios
Olhos e bunda
Nariz e dedo
Mulher e vitrine
Homem e cerveja
Queijo e goiabada
Chifre e dupla sertaneja
Carro de bêbado e poste
Bebedeira e mulher feia
Tampa de caneta e orelha
Tornozelo e pedal de bicicleta
Jato de mijo e tampa de vaso
Leite fervendo e fogão limpinho
Político e dinheiro público
Dedinho do pé e ponta de móveis
Camisa branca e molho de tomate
Tampa de creme dental e ralo de pia
Café preto e toalha branca na mesa
Dezembro na Globo e Roberto Carlos
Chuva e carro trancado com a chave dentro
Dor de barriga e final de rolo de papel higiênico
Bom humor e SEXTA - FEIRA!!!
CARPE DIEM
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Lembranças e saudades
Das minhas lembranças:
- o gostinho dos lanches de pão com carne moída servidos no grupo escolar onde fiz o primário
- o Morro dos Cabritos, onde as crianças do bairro brincavam
- meu tio-avô Joaquim levando os cinco sobrinhos-netos pra escola
- a galinha Margarida da minha avó, que minha irmã matou de tanto abraçar forte a coitadinha
- as missas de domingo que a turma ia junto
- o trabalho voluntário na APAE e na AACD*
- a primeira vez que vi o loiro de olhos azuis por quem me apaixonei à primeira vista, e com quem estou até hoje
- bater o carro no portão na primeira vez que o tirei da garagem
- a casa de Águas da Prata
- amamentar cada uma das filhas preferidas pela primeira vez
- os jogos de buraco em Curitiba, regados à café com leite e pão caseiro
Das minhas saudades:
- o cheiro do travesseiro do meu pai
- os bailinhos na casa do Beto e do Hely
- as reuniões da ADB**, em Caracas
- as viagens com meu par e com as meninas
- a casa de Caracas, onde morei
- as feijoadas anuais que fazíamos
- encontrar mais vezes a melhor amiga
- meu pai e meu irmão
*AACD - Associação de Amparo à Criança Defeituosa
**ADB - Associación de Damas Brasileñas
CARPE DIEM
- o gostinho dos lanches de pão com carne moída servidos no grupo escolar onde fiz o primário
- o Morro dos Cabritos, onde as crianças do bairro brincavam
- meu tio-avô Joaquim levando os cinco sobrinhos-netos pra escola
- a galinha Margarida da minha avó, que minha irmã matou de tanto abraçar forte a coitadinha
- as missas de domingo que a turma ia junto
- o trabalho voluntário na APAE e na AACD*
- a primeira vez que vi o loiro de olhos azuis por quem me apaixonei à primeira vista, e com quem estou até hoje
- bater o carro no portão na primeira vez que o tirei da garagem
- a casa de Águas da Prata
- amamentar cada uma das filhas preferidas pela primeira vez
- os jogos de buraco em Curitiba, regados à café com leite e pão caseiro
Das minhas saudades:
- o cheiro do travesseiro do meu pai
- os bailinhos na casa do Beto e do Hely
- as reuniões da ADB**, em Caracas
- as viagens com meu par e com as meninas
- a casa de Caracas, onde morei
- as feijoadas anuais que fazíamos
- encontrar mais vezes a melhor amiga
- meu pai e meu irmão
*AACD - Associação de Amparo à Criança Defeituosa
**ADB - Associación de Damas Brasileñas
CARPE DIEM
domingo, 5 de abril de 2009
Adoção no coração

Adoção é um ato de amor. E precisa ser amor incondicional. Um amor que faça a pessoa esquecer completamente que aquela criança é adotada, senão não funciona.
Quem é mãe ou pai, jamais pensa que o filho é biológico quando este faz algo que os entristece ou preocupa. Se o filho for adotivo, esse pensamento jamais poderá existir, senão...
Tenho uma amiga que adotou um casal quando ainda eram bebês. Por muitos anos ela sofreu com a possibilidade das crianças descobrirem. Claro que decobriram, e infelizmete se revoltaram.Hoje são adultos, mas o comportamento com os pais mudou. Tipo vaso quebrado com os cacos colados.
Minha filha mais velha sempre disse que gostaria de ter um filho biológico e adotar outro. Me orgulhava de sua determinação e me preocupava com a possibilidade do par escolhido por ela não aceitar isso. Mas... quando o namoro com o genro querido começou a engrenar ele perguntou a ela sua opinião sobre adoção e ela disse que adoraria adotar. E mais, que fosse uma criança negra, que são as mais preteridas. Coincidência? Sintonia? Destino? Não importa o que provocou o encontro dessas duas pessoas lindas. O que me deixa feliz é saber que terei lindos netinhos. De sangue e de coração.
Texto publicado no Guaraná com Canudinho em 03/04/09
CARPE DIEM
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