terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um mundo novo







É muito interessante como a vida da gente pode mudar tanto, sem que haja necessariamente um acontecimento sério para que isso ocorra.
Se, há algum tempo, alguém me dissesse que um dia eu entenderia de calcário, adubo, esterco, sementes e mudas, eu mandaria internar. E hoje estou eu aqui, fascinada por esse mundo novo que cheira mal se o esterco é de galinha e cheira bem se o esterco é de vaca. Um mundo onde a resistência do eucalipto e da mandioca se contrapõe ao melindre do maracujá. Um mundo onde uma pessoa com pouquíssimo estudo tem um conhecimento absurdo daquilo que faz, e uma sabedoria "folclórica" invejável.
Graças a essas pessoas tão simples e humildes, mas muito experientes, estou dando meus primeiros passos na agricultura. O conhecimento delas é imenso e não foi conseguido na escola, mas com a dura lida de agricultor. Tez queimada e ressequida que, invariavelmente, acrescenta mais anos à pessoa do que sua identidade registra. Mãos grossas e calejadas que mexem numa mudinha com a mesma delicadeza com que se mexe na asa de uma borboleta. Voz mansa e pausada que teima em chamar a todos de Dr. Essas pessoas não percebem que os doutores são eles. Aliás, eles nem sabem que o são. Tenho tido uma sede de conhecimento incrível! E muitas pessoas, quer estejam ligadas diretamente ao nosso projeto ou não, têm me ensinado alguma coisa. Um comentário, uma dica ou uma opinião acrescentam algo ao meu parco conhecimento.
Não sei se conseguirei saber tudo o que gostaria, mas já sei muito mais do que poderia imaginar.

CARPE DIEM

Como cheguei aqui

Há pelo menos dois anos meu par começou a buscar o que fazer depois que se aposentasse. Ele tem 58 anos e muito gás ainda pra gastar. Ele passou pela criação de avestruzes, apicultura, determinadas espécies de cogumelos, árvores nobres e chegou aos tijolos ecológicos. Pesquisou muito, estudou bastante e decidiu que esse seria um bom filão de mercado, nestas paragens do planalto central. Como tínhamos o hábito de viajar sempre pra Goiânia, um belo dia resolvemos sair em busca de uma cidade nas imediações, que fosse simpática, pequena e relativamente perto de Brasília (onde moram nossas filhas preferidas) pra comprarmos "um pedaço de chão". Nossa idéia era conhecer várias cidades e, pra isso, escolhemos uma das saídas de Goiânia. Passamos batido por Senador Canedo e chegamos em Bela Vista. Esta cidade tem três entradas e por nenhum motivo especial entramos na última. Nessa primeira rua encontramos uma imobiliária e perguntamos por algum sítio que estivesse à venda. Nos mostraram dois, e nos encantamos pelo segundo. Compramos.
Foi tudo tão rápido e fácil que nos surpreendemos. Começava assim meu vínculo com Bela Vista.
As outras cidades? Um dia nos conhecerão.

CARPE DIEM

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Casa montada


Quando alugamos uma casa em Bela Vista compramos o básico de cozinha e trouxemos duas camas de solteiro que já tínhamos. Ganhei duas cadeiras dessas típicas de interior, com trançado de plástico, e decidimos esperar que a filha do meio preferida casasse, pois com isso, teríamos alguns móveis liberados. O casamento passou, e por motivo nenhum, fomos protelando a mudança.
Mas faz três meses que vivo mais cá do que lá e comecei a sentir falta das coisas. Então, neste último fim de semana, decidimos.
...e depois de alguns meses "meio" acampada, minha mudança chegou. Agora tenho guarda-roupa, cama, escrivaninha, sofá...Que delícia sentar num sofá! Mesinha de canto, tapete, criado-mudo. É tão comum termos todos esses móveis em casa que não nos damos conta da falta que fazem.
Assistir televisão escarrapachada num sofá é tudo de bom!
Agora posso retribuir os vários cafezinhos com bolo que já tomei nesta cidade tão acolhedora.

CARPE DIEM

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Bela Vista de Goiás

As cidades de interior têm algumas características muito particulares e Bela Vista não foge à regra.
Aqui, as pessoas desprezam as calçadas e caminham sempre pelas ruas (às vezes me pego fazendo a mesma coisa) fazendo com que os carros, muitas vezes, tenham que desviar de pessoas e não de outro veículo.
Jamais vi tantas carroças atrapalhando o trânsito. Não que tenhamos muitos carros, mas é que as ruas são bastante estreitas.
Aqui não há nenhuma dessas lanchonetes conhecidas como Mc Donald's, Bob's e afins. Mas todas as lanchonetes que existem são chamadas de "Pit Dogs". Na praça central da cidade havia 4 pit dogs, um em cada esquina. O prefeito que acaba de deixar o cargo resolveu inovar e ergueu uma "praça de alimentação" no local, reunindo todos os pit dogs. Alguns deles têm lanches deliciosos.
Outra característica desta cidade é o costume de comer churrasquinho. Durante todo o dia há algum churrasqueiro de prontidão. Em quase todos eles o churrasquinho é servido com molho, pimenta e farinha e vem acompanhado de mandioca cozida e feijão tropeiro. Uma delícia.
Agora, o que aconteceu nesta madrugada supera qualquer outra característica de cidade de interior. Moro a uma quadra da praça central então, tudo o que acontece por lá pode ser ouvido por aqui. Às cincos horas da madrugada acordei assustada com o barulho de rojões e uma quantidade absurda de fogos de artifício. Tocava uma música que eu já tinha ouvido em desfiles militares e eu não conseguia entender o que estava acontecendo. De repente os fogos diminuiram, e pra minha surpresa, ouvi nos alto-falantes da praça a seguinte frase: "Povo belavistense! Estamos iniciando a Festa dos santos padroeiros da cidade São Benedito e Santa Irene. Espero todos os cidadãos para a missa de abertura das comemorações às 5:30 na igreja. E viva São Benedito e viva Santa Irene!" E mais fogos. Quando tive certeza que tudo havia acabado, olhei no relógio e percebi que ouvi 11 minutos de fogos de artifício em plena 5 horas da madrugada. Peculiaridades de uma pequena cidade de interior.



CARPE DIEM

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ano Velho. Ano Novo.

E mais um ano termina. Tão rápido ele se foi.
Normalmente nessa época , já teria feito minha lista de pedidos para o próximo ano. Mas desta vez vou fazer diferente e relembrar (e agradecer) o que de melhor aconteceu neste ano que está acabando.
Claro que o casório da filha do meio preferida foi o mais marcante, lindo e perfeito.
Mas outras coisas também merecem ser lembradas com alegria:
- a reunião de quase toda a família pra esse evento
- a decisão de iniciarmos a fábrica de tijolos e as plantações
- a contratação da filha caçula pra trabalhar na multi que ela tanto queria
- conhecer os guaranetes
- ver a alegria da melhor amiga brincando com o neto
- a felicidade quase palpável da filha mais velha e seu par
- a coragem de "rodar a baiana"
- "ter virado a mesa e ter sobrevivido"
- o alívio do cunhado querido num emprego seguro... e por aí vai.
Como não vou conseguir ficar sem pedir alguma coisa...
- perder os quilinhos que ganhei neste semestre
- comprar uma cachorrinha pro nome que escolhi
- saúde, amor e alegria aos entes queridos e diletos amigos
- paz, harmonia e ...
- trabalho, muito trabalho a todos, pois com ele pode-se conseguir todas as outras coisas.
Desejo sempre que o ano que se inicia seja ainda melhor do que todos os outros já vividos. Pra mim e pra todos. Com certeza merecemos todos ser felizes. QUE VENHA 2009!!!


CARPE DIEM

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Natal depende de nós.


Muitas vezes, quando penso em escrever sobre algo, me deparo com um texto perfeito sobre esse tema, escrito por alguém que tem muita sensibilidade, e percebo que jamais poderia explanar tão bem minha opinião.

"As pessoas se queixam muito de que o Natal é só comércio. Depende de quem o comemora. Se me endivido por todo o próximo ano comprando presentes além de minhas possibilidades, pois no fundo acho que assim compro amor, estou transformando meu Natal num comércio, e dos ruins. Se entro nesses dias frustrado porque não pude comprar (ou trocar) carro, televsão, geladeira, estou fazendo um péssimo negócio para minha alma. E, se não consigo nem pensar em receber aquela sogra sempre crítica, aquele cunhado cínico, aquele sobrinho mal-criado, abraçar o detestável chefe ou sorrir para o colega que invejo, estou trans formando meu Natal num momento amargo. Então, depende de nós...A crise nas finanças pode incrementar a valorização dos afetos. Se não pudermos viajar,curtiremos mais nossa casa. Se não há como trocar velhos objetos, vamos cuidar mais dos que temos. Vamos curtir mais nossos ganhos em afeto...Porque, afinal de contas, é a ocasião de sermos menos amargos, menos críticos, menos lamuriosos e mais abertos ao sinal deste momento singular, que tanto falta no mundo: a possível alegria, e o necessário amor."
ACREDITAR NO NATAL: Lya Luft

CARPE DIEM

domingo, 14 de dezembro de 2008

Não resisti

Malandra é a vaca que já nasce malhada. Hehe

CARPE DIEM

domingo, 7 de dezembro de 2008

Parafusos a menos no Guaraná


Neste nosso mundo tem pessoas que são normaizinhas e outras que têm parafusos a menos (ou a mais?).
O pessoal do Guaraná com Canudinho faz parte da segunda categoria. Ainda bem!
Os guaranetes resolveram fazer um amigo secreto de Natal e incluiram três convidadas, sendo euzinha uma delas. Como os 4 integrantes do Guaraná mais as convidadas moram em 4 cidades diferentes, essa tradicional brincadeira está sendo feita via internet.
A quantidade de e-mails trocados é de deixar qualquer um maluco. Como fiquei uns dias sem computer, a guaranete-mor achou que eu pudesse surtar quando abrisse minha caixa de correspondência. Por ter também alguns parafusos a menos, não surtei, mas que dei muita risada com a bagunça deles, ah! isso dei.
Até agora está sendo decidido qual o dia da "confraternização", e o horário.
Alguns escolheram presentes que não podem ser comprados pela internet. Eu nunca fiz compras pela dita cuja e terei que pedir ajuda de uma das filhas preferidas.
Fico imaginando a situação inusitada que será essa festa "internética" dia 18 (ou 19?) às 19hs (ou às 20?). Há que se decidir.
O que está valendo muito a pena é toda a brincadeira, os e-mails estapafúrdios de alguns, os extremamente curtos de outros, os pedintes de outros mais.
Não importa a quantidade de parafusos que faltem ou sobrem. O que vale é essa amizade gostosa, mesmo à distância. O querer-bem, o respeito, a confraternização. Viva!
Imagem-testeira gentilmente cedida pelos guaranetes.

CARPE DIEM